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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O ano a conjugar

Que o ano que virá se traduza em verbos
Que dolorosamente se conjuguem em presente
Que os terminados em "-rá" se percam nos exercícios gramaticais
Que os terminados em "-rei" ou "-remos" tenham seus sufixos suprimidos e substituídos
Que os eu farei, os eu irei
Os nós mudaremos, os nós construiremos
Virem todos cotidianamente eu faço, eu vou, nós mudamos, nós construimos

Que para os transitivos diretos e indiretos
Possamos forjar os complementos
Que os intransitivos imponham toda a sua intransitividade
E que conjuguemos o que desejamos em pretérito
Daqueles mais que perfeitos

Para que o ano traduzido venha a ser conjugado,
Às vezes saudosamente, outras sorridentemente
Também em pretérito

Só assim, as ideias se fazem matéria
Os planos se fazem concreto
E o povo, revolução

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Teus olhos em oceano

Teus olhos, como os de Capitu, arrastam os meus feito ressaca
São frestas que permitem os meus
Nadar no oceano de teus sentimentos
Que no teu olhar se traduzem em segredos

Teus olhos fazem festa com os meus quando os encontram
Os dois pares se enamoram à distância por longos tempos
Sob os sons de um oceano
Até se fecharem em ensaio
A espera do silêncio transgressor do beijo

Teus olhos, que já saíram da janela para ver os sambas das ruas
E já sentirem os tambores do maracatu
Já pintaram em suas retinas paisagens em branco e preto
E degustaram o sal de marés em alegria e tristeza
Trazem amor transbordando nas pálpebras
Trazem trilhas escuras
Nas quais me perco pra fugir do mundo

Teus olhos são cheios de risos
Que mesmo em dias de tempestade
Mesmo quando os mares dentro deles se agitam
Mesmo quando eles se expõem ao mundo em correntes de marés
E quando os oceanos os encharcam
Vê-se por entre a fresta
Uns sorrisos teimosos
Que esses versos anseiam arrancar...


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Mangaba



Eu te digo, meu cumpadre, que fui pego de um jeito
Pelo riso daquela cabocla
Eu arrisco te avisar, meu amigo, que bastava ela dar uns 10 minutinhos de prosa
Pra amansar qualquer boi tungão
E amaciar qualquer grosseria de caboclo metido a brabo
Só pode ser mandinga
O acalento daquele colo
Que adormece inté mesmo
Uma baleia das mais insones
É a coisa mais bonita de ser ver a luz do sol bater no cangote dessa mulher

Mas o que eu queria mermo te dizer, companheiro
É que eu só desejava era dar um abraço nessa moça bem arrochadinho
Pra que a gente ficasse grudadinho que nem os beiços fica quando a gente come Mangaba
Bucho com bucho juntinhos
Até o sol se esconder e raiar.